The Project Gutenberg EBook of O Infante Navegador, by Alfredo Campos

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Title: O Infante Navegador

Author: Alfredo Campos

Release Date: June 1, 2010 [EBook #32647]

Language: Portuguese

Character set encoding: ISO-8859-1

*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK O INFANTE NAVEGADOR ***




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                            _ALFREDO CAMPOS_


                           O INFANTE NAVEGADOR

                                  POEMETO

                              COM UM PREFACIO

                                    DE

                                JOO PENHA




                                   PORTO
               _Livraria Internacional de Ernesto Chardron_
                                Casa editora
                            M. LUGAN, Successor
                                   1894
                       Todos os direitos reservados




                   PORTO--TYP. DE A. J. DA SILVA TEIXEIRA
                             _Cancella Velha, 70_




                            _ALFREDO CAMPOS_


                           O INFANTE NAVEGADOR

                                  POEMETO

                              COM UM PREFACIO

                                    DE

                                JOO PENHA




                                   PORTO
               _Livraria Internacional de Ernesto Chardron_
                                Casa editora
                            M. LUGAN, Successor
                                   1894
                       Todos os direitos reservados




AO ILL.MO E EXC.MO SNR.


Conselheiro Luis Augusto Pimentel Pinto


RESPEITOSAMENTE OFFERECE


                             _O AUCTOR._




                                                  _Ill.mo e Exc.mo Snr._

_Tomo a liberdade de offerecer a V. Exc. este modestissimo trabalho, no
porque o tenha como valioso, mas, sim, para significar a V. Exc., por
esta maneira, a considerao, estima e gratido, que tributo a V. Exc.,
aquellas por sympathia, esta pelas provas de deferencia, benevolencia e
bondade que de V. Exc. hei recebido, civil e militarmente._

_Sei que V. Exc. me conceder a merc, de o acceitar, e penhorado
agradeo a graa._

_Considere-me V. Exc. como quem muito se honra, subscrevendo-se_

                                     _De V. Exc._

_Ovar, 1 de Janeiro de 1894._

                _subordinado, attento venerador, obrigado e admirador_

                                    _Alfredo Campos_

                                   _Major d'Infantaria._




PREFACIO


Em 1865, alguns poetas que se achavam reunidos no cubiculo interior da
modesta livraria de um editor de Paris, resolveram, depois de animada
discusso, _inter pocula_, publicar um periodico de versos.

Esses poetas eram: Franois Coppe, Andr Lemoyne, Paul Verlaine, Lon
Dierx, e Jos Maria de Heredia; o editor era Lemerre.

Ha um proverbio francez que diz que no ha ninguem que, uma vez na vida,
no encontre a occasio de se enriquecer: tudo depende de no a deixar
escapar.

Para Lemerre o momento psychologico, de que mysteriosamente dependia a
sua fortuna, foi aquelle.

Viu a Occasio, agarrou-a pelos cabellos, e no mez de janeiro do anno
seguinte dava  luz o 1. numero do periodico, que fra intitulado:
_Parnasse Contemporain_. Era mensal, e d'elle ha publicadas tres sries;
a primeira abrange o anno de 1866, a segunda, principiada em 1869, e
interrompida pela guerra franco-prussiana, concluiu em 1871; a terceira
e ultima sahiu em 1876.

O exito d'esta publicao foi enorme: a edio esgotou-se, e Lemerre,
que a encetra pobre, em dia de bons auspicios, ganhou alentos e 
actualmente um dos mais faustosos editores da grande cidade.

Do titulo do periodico adveio para os seus numerosos collaboradores a
denominao de _poetas parnasianos_.

Catulle Mends d-lhe outra origem, mas a real  a que deixamos
indicada: estas coisas vem-se melhor de longe do que de perto.

J ha muito publicavamos em Coimbra a _Folha_, quando Ea de Queiroz,
enthusiasmado, nos assignalou o novo periodico, incitando-nos a
implantar entre ns a que elle chamava poesia do futuro.

Acostumados  leitura exclusiva dos cinco ou seis poetas que, por
aquella pocha, se liam e discutiam em Coimbra, surprehendeu-nos a nova
publicao, no tanto pela novidade que poderia notar-se no seu elemento
poetico propriamente dito, mas sim, principalmente, pela correco quasi
scientifica da frma.

Pde affirmar-se que foi ahi que, em Frana, teve principio a moderna
evoluo do verso, evoluo que ns, que absolutamente desconheciamos
aquelle movimento, tambem tinhamos iniciado na _Folha_.

Este phenomeno poderia explicar-se por uma das leis de Vico.

Dissemos que no _Parnaso_ no havia innovaes no elemento poetico, e
realmente, a no ser a excluso de alguns dos velhos assumptos
convencionaes, o que se observava era que os novos poetas (no nos
referimos  sua idade segundo os repertorios) continuavam como at ali a
poetar, de harmonia com os seus temperamentos, segundo a sua propria
originalidade. Via-se que os no unia nem communho de idas ou de
sentimentos e tradies, nem at um mesmo systema ou methodo de
execuo: no formavam uma escla: unia-os apenas um principio, que
manifestamente haviam adoptado por influencia de Th. Gautier e de
Banville, o de que poesia sem arte no  poesia; no tem outro valor
seno o dos pensamentos que contm:  prosa.

Para esses parnasianos, portanto, que so os que actualmente constituem
a mais gloriosa constellao de poetas do seculo XIX, isto , para
Baudelaire, F. Coppe, Sully-Prudhomme, Soulary, Leconte de Lisle, Andr
Lemoyne, Glatigny, Catulle Mends, Armand Silvestre, Th. de Banville,
Lon Valade, Paul Verlaine, Lon Dierx, Jos Maria de Heredia, Em. des
Essarts, e para muitos outros, no ha arte aonde o verso no 
absolutamente correcto.

Mas, a evoluo da frma consistir s n'isso, parar ahi?

Com certeza que no.

Aquelle principio adoptado pelos parnasianos, no  realmente novo; os
grandes poetas latinos sempre o seguiram, e foi na _Epistola ad
Pisones_, que o Tasso, Cames, Ariosto, e outros, o encontraram,
adoptando-o.

O conhecimento amplissimo da lingua, to necessario para quem faz um
poema, como o da combinao das cres para quem pinta um quadro, e a
sciencia da revelao do pensamento pela frma mais nitida, mais
perfeita e mais adequada a esse pensamento, so as duas bases em que
assenta aquelle principio.

O primeiro d'estes elementos de construco e de composio technica
estuda-se nos classicos; o segundo nas obras dos grandes escriptores.
Este, porm, deve-o sobretudo estudar o poeta comsigo mesmo; porque um
mesmo pensamento no s pde ser apresentado, sem alterao alguma, por
palavras diversas, mas tambem pelas mesmas palavras combinadas de
maneiras differentes.

J o _Mestre de Philosophia_ o indicava, na comedia de Molire, ao
_Burguez Gentilhomem_:

Mr. Jourdain sentira-se enamorado de uma dama da sociedade elegante, e
queria escrever-lhe qualquer coisa n'um bilhetinho, que lhe deixaria
cahir aos ps.

A este respeito abriu-se com o seu Mestre de Philosophia.

-- em verso que quer escrever-lhe?--perguntou-lhe este.

--No; nada de verso.

--Ento quer tudo em prosa?

--No; no quero nem prosa nem verso.

--Ha de ser uma ou outra coisa.

--Porque?

--Por uma razo muito simples; porque para nos exprimirmos no ha seno
a prosa ou os versos.

--No ha seno a prosa ou os versos?

--No. Tudo que no  prosa  verso, e tudo que no  verso  prosa.

--E, quando eu fallo, isso que ?

-- prosa.

--Como! quando eu digo:  Jos, traz-me os meus sapatos, e d-me o meu
barrete de dormir, isto  prosa?

--Sim, senhor.

-- boa! Ha quarenta annos que fallo em prosa sem o saber! Muito obrigado
pelas suas instruces. O que eu queria pr no bilhete era:--_Bella
marqueza, seus bellos olhos fazem-me morrer d'amor_; mas queria que isto
fosse posto de uma maneira galante, torneado com elegancia.

--Pr: que o fogo dos seus olhos lhe reduz o corao a cinzas, que
soffre dia e noite as violencias d'um...

--No, no, no. No quero nada d'isso. No quero seno o que lhe
disse:--_Bella marqueza, seus bellos olhos fazem-me morrer d'amor._

--Comtudo, sempre  necessario estender isso um pouco mais.

--No, repito. No quero seno essas unicas palavras no bilhete, mas
torneadas  moda, arranjadas como o devem ser. Obsequeia-me, dizendo-me,
para eu ver, as diversas maneiras de as pr.

--Primeiramente podem pr-se da maneira que me disse: _Bella marqueza,
seus bellos olhos fazem-me morrer d'amor._ Ou ento:--_D'amor morrer me
fazem, bella marqueza, seus bellos olhos._ Ou ento:--_Seus olhos
bellos, d'amor me fazem, bella marqueza, morrer._ Ou ento:--_Morrer
seus bellos olhos, bella marquesa, d'amor me fazem._ Ou ento:--_Me
fazem, seus olhos bellos morrer, bella marqueza, d'amor._

--Mas de todas essas maneiras qual  a melhor?

--A sua: _Bella marqueza, seus bellos olhos fazem-me morrer d'amor!_

--E comtudo no tive estudos, fiz isso logo  primeira! Muitissimo
obrigado.

A resposta final do Mestre de Philosophia, se o caso no fosse de puro
gracejo, no poderia ser applicada, sem restrices, ao verso, no s
porque das diversas formulas de qualquer pensamento deve ser escolhida a
que fr melhor segundo as circumstancias, mas tambem porque, como diz um
poeta obscuro:

    Prosa e verso tm balisas.

Tudo isto, porm: conhecimento cabal da lingua, e sciencia technica da
construco, no passa do que  estrictamente rudimental na composio
poetica.

A moderna evoluo do verso, iniciada, como dissemos, pelos parnasianos,
tende, no seu movimento ascensional para a perfeio artistica, a pr de
accordo o pensamento e a frma, a ida e o som, a melodia e a harmonia.

A este respeito, transcreveremos aqui as idas que j n'outra parte
expozemos.

Em toda a composio poetica  indispensavel o elemento musical; sem
este elemento, essa composio, embora rithmada e rimada, no transpe
os limites da prosa. Tanto o prosador, como o poeta, trabalham a mesma
materia prima: o pensamento; o primeiro, porm,  apenas uma especie de
artifice mechanico: extrahe da pedreira cerebral e transporta para o
papel as idas que ahi se lhe formam: executa.

O trabalho do segundo  mais elevado e complexo: o poeta cria.

Assim como nem toda a pedra  adequada e serve para a estatua que um
Buonarotti se proponha fazer, assim nem todo o pensamento pde ser
objecto de um poema.

O artista, sem o procurar, escolhe, entre os que espontaneamente lhe
germinam no intellecto, aquelle que o seu espirito de seleco prefere;
expurga-o das impurezas da vulgaridade, que lhe empanem a originalidade
nativa, e depois reveste-o, por meio de processos extremamente
complicados, da frma que o torna visivel no mundo exterior.

Esses processos no consistem unicamente na escolha de palavras e
locues, e na regularidade do rithmo e da consonancia; consistem
sobretudo na escolha dos sons que essas palavras devem produzir,
combinadas umas com as outras, de modo que a composio musical, que
d'ahi resulte, deve estar de harmonia com o pensamento que as mesmas
palavras contm, isto , a tacitura e a notao melodica dos vocabulos,
abstrahindo-se das idas que n'elles esto incluidas, devem revelar,
embora vagamente, o conjuncto d'essas mesmas idas.

Os tres grandes poetas romanos, e sobretudo Horacio, attingiram esta
perfeio do verso.

Leia-se uma ode d'aquelle poeta a um individuo que ignore completamente
a lingua latina, a um professor d'essa lingua, por exemplo, e elle, s
pela harmonia mysteriosa das estrophes, indicar o assumpto de que o
poeta se occupou: Meyerbeer, Beethoven e Mozart collaboraram nas obras
de Hugo, Musset e Lamartine.

Os fundamentos d'esta nossa theoria, que talvez parea a uns imaginaria,
e a outros inexequivel, assentam em factos absolutamente experimentaes.

Observe-se uma joven doente. As palavras que instinctivamente emprega
para exprimir a tristeza da sua alma, e os soffrimentos de que se
queixa, so adequadas ao seu estado, no s pelo tom lugubre e pelos
pensamentos que encerram, mas tambem pela inflexo lamuriante e chorosa
que lhes imprime. Observe-se, pelo contrario, um homem feliz e contente:
se falla, se conta as suas aventuras, ha na sua voz a vibrao das notas
claras, estridentes e sonorosamente agudas: entre os seus pensamentos, e
a parte musical que os reveste, ha uma harmonia completa, embora
inconsciente.

, pois, na conjunco d'estes dois elementos que dever consistir o
arduo e difficultoso trabalho do poeta moderno: se o realisar, a sua
obra occupar um logar perduravel entre os monumentos artisticos da sua
pocha; se o no conseguir, vr-se-ha collocado, quando muito, entre a
ephemera cohorte dos operarios da prosa, e por mais que diga, por mais
que se contorsa, por mais que reche a sua obra de assombros de
pensamento, de bonitos de phrase, e de floripondios de estylo, como
diria sua excellencia o bispo de Bethesaida, ainda em vida a ver
sepultada nos abysmos insondaveis d'um eterno esquecimento.

 no sentido que deixamos esboado que em Frana os antigos parnasianos,
e uma enorme phalange de poetas mais novos, trabalham os seus poemas,
sobresahindo entre elles pela sua mais perfeita comprehenso do elemento
musical, no _La Nature_, Maurice Rollinat, o compositor das _Nevroses_.

As suas poesias so to musicaes que podem cantar-se, e elle mesmo,
ainda ha pouco, com uma entoao estridente e angustiosa, que produziu
uma sensao inexprimivel nos que o ouviam, cantou uma d'ellas, o rond:
_Les yeux morts_:

    De ses grands yeux, chastes et fous,
    Il ne reste ps un vestige.
    Ses yeux, qui donnaient le vertige
    Sont alls ou nous irons tous.

    En vain ils taient frais et doux
    Comme deux bluets sur leur tige:
    De ses yeux, chastes et fous,
    Il ne reste plus un vestige.

    Quelquefois, par les minuits roux,
    Pleins de mystres et de prestige
    La morte autour de moi voltige...
    Mais je ne vois plus que les trous
    De ses grands yeux chastes et fous!

Entre ns, o movimento evolutivo, a que nos temos referido, fra, como
dissemos, iniciado espontaneamente em Coimbra por uma gerao de poetas
que, com os seus adeptos, formam actualmente uma pleiade de artistas que
s tem por egual a pleiade dos poetas francezes.

Eram e so os que o professor do Curso Superior de Lettras, Theophilo
Braga, o Linneo da nossa litteratura, classifica, na sua ultima obra,
com o desdem olympico de um metrificador de cyclos, da maneira seguinte:
_poetas que tratam unicamente da frma_.

No emtanto, em que peze ao illustre cathedratico, para elles, excluido
um, j ha muito fulgura, no Templo da Arte, o antigo _fas vobis limina
divuum_.

Alfredo Campos no  um d'esses poetas, mas se no  rigorosamente um
parnasiano, mostra nas suas poesias, que, como Joo de Deus, tem musica
na alma, e essa musica interior muitas vezes suppre, o que a arte, para
os mesmos effeitos, laboriosamente obtem. Muitos dos seus sonetos
poderiam ser assignados por Diogo Bernardes, e as bellas estrophes, que
vo lr-se, revelam que o seu talento malleavel no se affrontaria
diante de uma obra mais completa, se com ella se propozesse enriquecer a
nossa litteratura.

11-2-94.
                                                            _Joo Penha._




O INFANTE NAVEGADOR




I

                _.... se a natureza lhe negra a Cora, as virtudes lhe
                deram justia para a merecer._

                         CANDIDO LUSITANO--_Vida do Infante D. Henrique._


              1

    Espirito sublime e alevantado,
    Cheio de crenas, corao formoso,
    Olhar d'guia, profundo e dilatado,
    Fictando o sol ardente, corajoso,
    Sondando o mar, que adora apaixonado,
    E em que sonha o seu poema grandioso,
    Deixou seu nome vinculado  Gloria,
    Escripto em bronze, pela mo da Historia.


              2

    --Navegador!--Assim o baptisra
    A fama das conquistas mais brilhantes;
    J, dominando o mar, na audacia rara,
    Para o cortar de estradas rutilantes,
    J, implantando a F na gente ignra,
    Em paragens ignotas e distantes,
    No, porque da ambio fosse vil presa,
    Mas para dar  F maior grandeza!


              3

    Varo de largo estudo e so talento,
    Em vez de brao inerte na indolencia,
    Nos prazeres da crte, e luzimento
    D'uma banal e inutil existencia;
    Em vez dos galanteios de momento,
    Que passam, como as nuvens d'uma essencia,
    Votou a vida, desde a florea edade,
    Ao trabalho, com honra e lealdade.


              4

    Foi de Sagres, nos sonhos radiosos,
    Embalados, do mar, nas harmonias,
    Quando o mar, nos anceios carinhosos,
    Ia, meigo, beijar-lhe as penedias,
    Como para attrahil-o aos gloriosos,
    Altos projectos de futuros dias,
    Que concebeu os planos de conquista,
    Lanando, ao longe, a penetrante vista.


              5

    Ninguem, como elle, ousra ainda tanto,
    Abrir caminho certo a essas paragens,
    Onde a noite  mortal, o sol quebranto,
    Os habitantes negros e selvagens;
    Porque ninguem sentira o doce encanto
    De lograr to esplendidas miragens;
    Porque ninguem, como elle, decifrava
    Os enigmas, que o mar apresentava.


              6

    Rodeado d'espiritos valentes,
    Promptos  voz, que vinha d'um desejo,
    Calando, sempre, em coraes ardentes,
    Cheios de brio, aspirao e pejo,
    Mal dardejava s ondas relusentes,
    Os olhos, no claro d'algum lampejo,
    Ao vento desfraldavam, logo, as vlas,
    Arrojadas, veleiras caravellas!


              7

    No eram ambies de vil riqueza,
    De conquistas, que augmentam poderio,
    Ou paixo de cubia, de torpeza,
    Para satisfazer um desvario,
    Ou um capricho vo de v fraqueza,
    O que o levava  busca do gentio:
    --Era mais alto e nobre o pensamento,
    Que o punha firme n'esse ousado intento.


              8

    Na descoberta de regies ignotas,
    Tinha apenas um alvo, que era a Gloria,
    D'avanar na sciencia das derrotas,
    Para lograr, sobre outros, tal victoria,
    Levando a F s tribus mais remotas,
    Cuja religio era irrisoria;
    No por prazer de ter mres dominios
    Acalentava o Infante estes designios.


              9

    Tal como o mar, que um dia  bonanoso,
    Beijando docemente a costa, a praia,
    E no outro dia  j tempestuoso,
    Em mortalha mudando a alva cambraia,
    Da fina espuma do seu dorso airoso,
    Para melhor colher o que desmaia,
    Hoje, sereno, amante peregrino,
    Mau, amanh, terrivel e tigrino.


              10

    Assim o espirito do Infante, s vezes,
    Calmo sorria ao fim d'alguma empreza,
    Triumphante de todos os revezes;
    Mas enchia a sua alma de tristeza
    Quando a sorte feria os portuguezes,
    Porque ante a sorte ha fora que  fraqueza,
    E nem sempre volviam gloriosas,
    Essas expedies audaciosas!




II

                O mysterio que desde a creao estava suspenso sobre o
                Atlantico, e occultava ao conhecimento do homem metade da
                superficie do globo, tinha reservado para o Infante D.
                Henrique, o navegador, um campo de nobres commettimentos.

                       RICHARD HENRY MAJOR--_Vida do Infante D. Henrique._


              1

    Como um extenso campo, pelo arado
    Fendido em sulcos para a sementeira,
    O Atlantico, por elle, foi sulcado,
    N'uma larga derrota lisongeira,
    Em que, sempre, um caminho era traado,
    De larga via e luminosa esteira,
    Levando o Infante s terras procuradas,
    As naus e as gals afortunadas.


              2

    Os Aores, Madeira e Porto Santo,
    Pelo arrojo de Zarco e Tristo Vaz,
    Surgem formosas, como por encanto,
    Ao que, por descubril-as, tanto faz.
    Leva a Ceuta os seus feitos e, no emtanto,
    Sempre no seu intento firme e audaz,
    Segue lanando o penetrante olhar,
    As ondas do attrahente e vasto mar!


              3

    Diogo Gomes pe as lusas quinas,
    Em Cabo Verde--essa africana porta
    --Como se as hasteasse nas campinas,
    Onde no houve nunca esperana morta.
    Rasgam-se as nuvens densas de neblinas,
    Ante o fervor, que o heroismo exhorta,
    E  bahia d'Arguim o accesso expande
    A maritima audacia, e ao Rio Grande!


              4

    Desvenda-se esse Mar, que Tenebroso,
    Toda a coragem transformava em medo,
    Como rendido ao susto perigoso,
    Quem quer sondar o abysmo d'um segredo;
    E esse campo de vagas, mysterioso,
    To tido por feroz, insano e tredo,
    Deixa de ser phantastica voragem,
    Para prestar aos lusos vassalagem!


              5

    Levado na corrente caudalosa,
    Que os animos inspira com ardor,
    Dobra, n'uma derrota gloriosa,
    Gil Eannes, o Cabo Bajador;
    E essa tarefa rude e trabalhosa,
    Que ao Infante traz mais um esplendor,
    Novo floro engasta em seu diadema,
    Nova estrophe nos cantos do seu poema!


              6

    Andavam cavalleiros, moos, pagens,
    Entre si, disputando a primasia,
    De derrotas incertas, de viagens,
    Tidas por mais difficeis, dia a dia,
    Buscando, cada qual, novas paragens,
    Consoante as pintava a phantasia;
    E foi assim, que, com fervor e f,
    Chegaram a Benim, Congo e Guin!


              7

    Vencem os seus o Cabo das Tormentas,
    Que foi, depois, Cabo da Boa Esperana,
    No sem luctas e luctas violentas,
    Em que o trabalho mais renome alcana;
    No sem rudezas grandes e cruentas,
    Dessas que a fama em seus laureis entrana,
    E coube ao Duque de Vizeu a Gloria,
    Dessa arrojada empreza meritoria.


              8

    Levanta em Sagres a grandiosa Escla,
    Onde a navegao acha elemento,
    Para as expedies, que desenrola,
    Em busca de qualquer descubrimento,
    Quando uma frota sua o mar assola,
    Ou uma nau se expe ao mar e ao vento,
    Escla, que assombrava o mundo inteiro,
    E em que, no estudo, o Infante era o primeiro!


              9

    Se pelo mar conquista tanta fama,
    E o seu nome circumda glorioso,
    Das joias das aces que l derrama,
    Como navegador audacioso,
    Tambem como homem d'armas se proclama
    Disciplinado, firme e valoroso,
    Como se fra feito para a lucta,
    Quem, pela Patria, a Gloria s disputa.


              10

    Nos mares, onde tantas caravellas,
    Rasgaram horisontes dilatados,
    Sem receio da furia das procellas,
    Nesses longinquos portos ignorados,
    Onde as gals molharam suas velas,
    Levando a Cruz e a F aos seus povoados,
    Andam, inda, hoje, vivas, por memoria,
    Do grande Heroe, as tradies de Gloria!




III

                A fama, a gloria, o nome, e a saudade.
                .............................
                Oh! ditoso morrer! Sorte ditosa!

                                CAMES--_Sonetos_.


              1

    Pde o tempo esquecer, por largos annos,
    Os feitos d'um Heroe, aces d'um povo,
    Quando o tempo resolve em seus arcanos,
    O consagrar algum Heroe mais novo,
    Ou commentar cruezas de tyrannos,
    Pois cada tronco tem o seu renovo;
    Mas desse olvido ha de surgir, um dia,
    O tempo que esses feitos esquecia.


              2

    Revive, assim, a grandiosa Gloria
    Do compendio da vida d'esse Infante,
    Que enche de brilho as paginas da Historia,
    N'uma lio famosa e fecundante;
    E nesse consagrar tanta victoria,
    Nesse avivar exemplo to gigante,
    Cumpre um dever o povo que pretende,
    Que  pela Historia que se instrue e aprende.


              3

    Filho de Reis, podia, na grandeza,
    Trazer a vida, e em ocios, regalada;
    Preferiu, da Sciencia, a realeza,
    Porque era d'ella uma alma enamorada,
    Levando, em protegel-a, a gentileza
    De, em seus Paos, a ver bem hospedada,
    Que eram de illustres Sabios, grande gremio,
    Sabios, que honrava e a quem dava premio.


              4

    Pelo seu corao foi mui piedoso,
    Varo d'inteira F, de firme Crena,
    Erguendo muito monumento honroso,
    Que a tradio, agora, ainda incensa,
    Como para attestar o caloroso,
    Real valor d'essa piedade immensa,
    De quem tinha, por si, segura a regra,
    Que sem religio a vida  negra.


              5

    Affavel, terno, todo castidade,
    Abria o seio s afflices dos pobres,
    Que consolava ao sol da caridade,
    Mudando em oiro a falta dos seus cobres,
    Nos extremos do affecto e da bondade,
    Taes como os dispensava aos ricos nobres,
    Chegando, por impulsos desvelados
    A ser chamado at--_Pai dos Soldados!_


              6

    _Protector dos estudos_, contribuia,
    Com larga renda e generosa offerta,
    Para pr a instruco em pleno dia,
    Nos proprios Paos seus, fulgindo certa,
    Como mi do Progresso, que antevia,
    E fonte de ventura, em jorro aberta;
    Pois se do mar, das armas era amante,
    Punha nas Lettras um amor constante.


              7

    _Talent de bien faire_ era o seu lemma:
    --De fazer bem, vontade sempre ardente,
    E nessa ancia do bem, viva e suprema,
    Exemplo sublimado a toda a gente,
    Talhou o maior canto do seu poema;
     raro achar brazo mais resplendente,
    Como egualmente o , entre a nobreza,
    Mais virtude, mais Gloria, mais grandeza!


              8

    Foi-lhe a vida sublime uma epopeia!
    Heroe, que faz Heroes pelo traslado,
    Dos dons com que seus dias encadeia,
    S pelo Patrio amor, sempre inspirado!
    D flr e fructo o exemplo que semeia,
    Fertil foi sempre o campo que ha lavrado,
    E dessa enorme e estranha sementeira,
    Inda, hoje, ha gro ao sol da nossa eira!


              9

    Quando morreu, coberto foi de pranto,
    Do povo, que o seu nome idolatrava;
    Foi tecido de lagrimas o manto,
    A mortalha, que ao tumulo levava!
    Diziam todos que morrra um santo!
    Dizia o proprio mar que... orpho ficava!
    Chorava, assim, uma nao inteira,
    Como que a sua esperana derradeira!


              10

    Um povo, que acalenta o seu presente,
    Ao sol das tradies do seu passado,
    Levanta, agora, um monumento ingente,
    Ao seu Navegador afortunado,
    Na aspirao da Gloria resplendente,
    Porque o que  grande  mister ser lembrado.
    Aprenda bem o povo a lr na Historia,
    E Deus o inspire para maior Gloria.



FIM









LIVRARIA CHARDRON--M. LUGAN, EDITOR


CENTENARIO DO INFANTE D. HENRIQUE


_ALBERTO PIMENTEL_

UM CONTEMPORANEO DO INFANTE D. HENRIQUE

Carta a Mr. Lugan

Um vol...................................... 300 reis

Edio em papel de linho.................... 500 reis


_CAMILLO CASTELLO BRANCO_

A LENDA DE MACHIN

Reflexes  VIDA DO INFARTE D. HENRIQUE
por Mr. Richard H. Major
Vertida do Inglez por J. A. Ferreira Brando

Esta lenda acha-se no romance: EUSEBIO MACARIO

Um volume................................... 800 reis


_MANUEL DUARTE D'ALMEIDA_

ESTANCIAS AO INFANTE D. HENRIQUE

Recitadas pelo auctor

Edio de luxo.............................. 300 reis.


_OLIVEIRA MARTINS_

OS FILHOS DE D. JOO I

Edio de luxo, illustrada, papel de linho, tipo elzevir

Um grosso volume.......................... 2$000 reis


Porto--Typ. de A. J. da Silva Teixeira, Cancella Velha, 70





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