The Project Gutenberg EBook of A Biblia da Humanidade, by Anthero de Quental

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Title: A Biblia da Humanidade

Author: Anthero de Quental

Release Date: June 18, 2010 [EBook #32868]

Language: Portuguese

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                           ANTHERO DE QUENTAL



                           ANTHERO DE QUENTAL


                         A BIBLIA DA HUMANIDADE




                                BARCELLOS
                    Typographia da _Aurora do Cavado_
                              Editor--_R. V._
                                  1895



    Tiragem apenas de 100 exemplares:
    20 em papel de linho.
    80 em papel d'algodo.
    N.___





Collaborou Anthero do Quental, assiduamente, em verso e prosa, com Joo
de Deus e outros vultos litterarios da gerao de 1864, no _Seculo XIX_,
periodico que n'esse anno se publicou em Penafiel, sob o influxo e
direco de Germano Vieira Meirelles, seu condiscipulo na Universidade,
como elle formado em Direito no anno de 1863, um dos mais pujantes e
promettedores talentos d'essa gerao, com cedo roubado ao renome que
por certo conquistaria, se a vida lhe fra mais longa, no mundo das
lettras e da politica.

Entre outros escriptos de Anthero ahi sahidos, lugar mui saliente occupa
_A Biblia da Humanidade_, trabalho philosophico de ancha envergadura e
largos horisontes, que pena  ter ficado incompleto.

No obstante isto entendi que deveria elle entrar, por seu incontestado
valor, na colleco, em que to piedosamente ponho empenho, de todas as
suas obras esparsas, e para o presente opusculo o traslado. Constite
elle j o duodecimo da mesma colleco, e no intento proseguirei eu de a
esta trazer tudo o que de Anthero se no ache publicado em volume sobre si.

Nenhum interesse material me aula n'este meu proposito, que nem um s
dos exemplares de qualquer dos opusculos, que vou fazendo sahir a lume,
 exposto  venda, mas apenas e s n'elle me anima o vehemente desejo de
reunir e facilitar materiaes para uma edio completa da obra de Anthero
do Quental, edio em que no ficario, creio eu, na sombra e nem sequer
na penumbra, alguns dos seus trabalhos ainda no reunidos em volume, e
alguns at incompletos, to radiosa a luz que d'elles resalta.

                                                           RODRIGO VELLOSO




A BIBLIA DA HUMANIDADE


I

Dentro do homem existe um Deus desconhecido, no sei qual, mas
existe--dizia Socrates soletrando com os olhos da razo,  luz serena do
ceu da Grecia, o problema do destino humano. E Christo com os olhos de
f lia no horisonte annuveado das vises do propheta esta outra palavra
de consolao--dentro do homem est o reino dos ceus. Profundo,
altissimo, accordo de dois genios to distantes pela patria, pela raa,
pela tradico, por todos os abysmos que uma fatalidade mysteriosa cavou
entre os irmos infelizes, violentamente separados, d'uma mesma familia!
Dos dois polos extremos da historia antiga atravez dos mares
insondaveis, atravez dos tempos tenebrosos, o genio luminoso e humano
das raas indicas e o genio sombrio, mas profundo, dos povos semiticos,
se enviam como primeiro mas firme penhor da futura unidade, esta
saudao fraternal, palavra de vida que o mundo esperava na angustia do
seu cahos--o homem  um Deus que se ignora.

Grande e soberana consolao a de ver essa luz de concordia raiar do
ponto do horisonte aonde menos se esperava, de ver uma vez unidos,
conciliados esses dois extremos inimigos, esses dois espiritos rivaes
cuja luta entristecia o mundo, echoava como um tremendo dobre funeral do
corao retalhado da humanidade antiga! Os combatentes no maior ardor da
peleja, fitam-se, encaram-se com pasmo, e sentem as mos abrirem-se para
deixar cair o ferro fratricida. Estendem os braos... somos irmos!

Primeiro encontro, santo e purissimo dos promettidos da historia! Manh
suave dos primeiros sorrisos, dos olhares timidos mas leaes d'esses
noivos formosissimos, que o tempo aproximava assim para o casamento
mysterioso das raas!

No ha no mundo palacio do rei digno de lhes escutar as primeiras e
sublimes confidencias! s um templo, alto como a cupola do ceu, largo
como o vo do desejo puro, como a esperana do primeiro e innocente
ideal humano.

Esse templo tiveram-no. Naquella palavra de dois loucos se encerra tudo.
Nenhuma montanha to alta, aonde a olho n se aviste Deus, como o vo
d'esta phrase, a maior revelao que jamais ouvir o mundo--dentro do
homem est Deus.--


II

Este facto unico, aos olhos dos que lem a historia nas lettras
impalpaveis mas luminosas das ideias, e no nos hieroglificos barbaros e
confusos dos acontecimentos fataes, basta a explicar o misterio que
segue tudo o que depois vir.

A adopo do ideal hebraico pelo genio grego: o christianismo,
misterioso hospede oriental recebido com amor sob o tecto cheio de luz
do Occidente; Jesus sentado entre os philosophos da Alexandria escutado
e applaudido no Agora de Athenas; Christo descendo da sua cruz da Judea
para, subindo ao Capitolio romano, estender os braos e tomar posse do
mundo--este drama da fortuna inexplicada d'um Deus desconhecido, esta
Odisseia das perigrinaes da religio d'um mundo, acolhida, amada entre
os cultos d'outro mundo to distante--que ha em tudo isto d'incrivel? No
dia em que Socrates exclamou ha um Deus no homem o primeiro arco da
ponte extraordinaria estava lanado: ficou firme, sustido no fundo do
oceano. Christo completou este caminho maravilhoso, lanou o segundo
arco! Desde essa hora os filhos da Sra oriental podem atravessar de
novo o Mar Roxo a p enxuto: e a terra promettida, o occidente de doce e
humana luz, c est para os receber em seu seio vastissimo.

O milagre, o milagre verdadeiro, comeara ha seculos--o ideal commum--a
unidade na aspirao. A realisao devia para ambos ser igual. A mesma
prece deve subir ao mesmo co. Egual desejo devia tarde ou cedo
affirmar-se na mesma realidade. Maria  a irm das Sybilas... Jesus por
que no ser ento o irmo de Socrates? As differenas de genio, de
raa, nada so aqui: o ideal commum, isso  tudo. E esse que assentou
sobre a sua solida base a f eterna da humanidade, a unidade dos
coraes, a verdadeira cidade de Deus! O christianismo creou a
humanidade (no grande e verdadeiro sentido da palavra) mas foi a
humanidade toda que o creou a elle, no o genio estreito d'uma raa.

Fundando a unidade divina, construiu a unidade humana mas os elementos
da obra todos  que suscitarem o operario,  que o fizeram.

No dia em que Jesus se chamava a si Christo, n'esse dia deixou de ser
judeu para se naturalizar homem. E o filho do homem--o filho da
humanidade. Do desejo dos dois mundos brotou esse lyrio divino... mas o
perfume que lhe sae do calix no ha templo bastante para o conter! Todo
o ceu  essa cathedral: o templo de Jerusalem, o Parthenon e o Capitolio
so naves, apenas, d'essa egreja universal!


III

Eil-a fundada em fim, idealmente, ao menos essa unidade, esse sonho
milenario do mundo antigo! E quem dir as dores, as lutas, as
esperanas, as angustias de mil geraes esquecidas, cujas lagrimas
regaram, e de cujo p se alimenta ainda essa arvore d'immortal amor?

Innumeras raas extinctas passaram curvadas sobre a terra; crusaram no
perigrinar de cem odisseias misteriosas, todos os continentes, para que
seus passos apenas deixassem como derradeiro vestigio sobre a face do
globo as letras fatidicas d'esse epitafio de glorias, essa palavra
unica--unidade! Tudo o mais  o segredo do tempo. Os seculos
desconhecidos esconderam sob a dobra dos immoveis sudarios a memoria dos
obreiros com o risco e os instrumentos do trabalho--e v-se a prodigiosa
obra anonima erguer-se recortando o perfil extranho no horisonte
desmaiado do passado, como o vulto da esphinge incomprehensivel no ceu
dos grandes desertos!

 a melancolia da historia! Por entre o canto das Epopeias antigas
escuta-se a espao o gemido surdo d'esse desconhecido e infeliz mundo de
escravos sobre cujos hombros doridos os heroes assentavam as suas
cidades de luz...

E os palacios heroicos da humanidade, que so as horas solemnes da sua
inspirao, encobrem-nos tambem os peitos escuros mas fortes sobre que
se ergueram esmagando os talvez, esses torrees de brilho!

Mas que importam os sacrificios? O carro de triumpho no se lembra da
mina sombria d'onde sahiu o metal das rodas que o levam.

A obra do misterio, a cupula esplendida da historia antiga ergue-se e
ninguem, sabe ahi por que mos se ergue. Mas solida  a sua base, que
nenhuma convulso lanar por terra como o canto de granito nos
alicerces do circo romano.

A estatua ideal da F humana achou emfim o pedestal de marmore
immaculado, onde se firmem seus ps divinos--a consciencia da nobresa do
destino do homem, a revelao da sua mesma divindade.


IV

Mas, esse Deus misterioso, que ceu o esconde nos paramos do ceu azul
immensuravel? Que Sinai enubla a sua gloria? O seu altar em que monte o
ergueram os profetas desconhecidos? Que rito  o seu--e em que taboas de
marmore escreveu o fogo de cima a legenda prodigiosa de sua lei? No meio
de ns por entre o tumultuar das geraes passa como o Deus antigo, por
entre os combates da Iliada, e ao longe retumba o echo de suas passadas.
E, emtanto, ninguem o v. S de longe a longe, algum profeta desce das
solides a mostrar ao mundo a palidez de suas faces emagrecidas, seus
olhos cavos e fixos, da fixidez assustadora das vises, como testemunho
de ter entrevisto na sua noite um raio d'essa gloria que o deslumbrou e
consumiu.

 o absoluto que deixa nas mos do homem, que o tentou prender na sua
fuga eterna, um fio apenas da sua tunica de brilho. Mas esse fio  um
raio de tal luz, que basta a alumiar o trabalho de muitos seculos!

Toma-o nas mos Moiss, mostra-o ao mundo, e chama-se Jehov. Ergue-o
Mahomet entre os povos e chama-se Allh. Deixa-o Christo cair do alto da
sua cruz, e chama-se amor. De cima d'uma guilhotina o atira Robespierre
para o meio das multides e chamam-lhe Direitos do homem e Revoluo. E
Hegel, levantando a cabea de sob as ondas immoveis e tristes da
abstrao, lana nos ventos, que a levam ao mundo, esta palavra--Ideia!

O que revela cada profeta no  o Deus eterno, o Absoluto dominador,
entre cujos braos se contm o universo, no confuso e multiforme nas
mil apparencias do relativo, mas na verdade ideal da sua essencia--o ser
puro.--Esse poderia por ventura, afirmal-o a creao toda, os soes e os
insectos, o espirito e a materia; o visivel e o invisivel, o certo e o
possivel, se um dia, esquecendo ao movimento lanar o metal ardente de
suas creaes nos moldes da variedade, se precipitasse todo sobre o seu
centro ideal assumindo emfim a consciencia plena da sua universalidade.

Mas o homem no afirma nada mais alm da sua mesma alma? E esse vulto
immenso a que ainda chamam Deus,  apenas a sombra do ideal humano, que
acha o mundo estreito e se alarga pelo espao. Concebe o absoluto nos
limites da sua relatividade.

Por seus mesmos passos mede o caminho do infinito. E, nos ultimos
limites aonde alcana o seu pensamento, ergue elle as ballizas extremas
do possivel. As religies so os marcos successivos das mais longas
corridas do seu desejo no caminho do infinito: mas no so o termo
d'essa estrada que se perde nas nevoas do inatingivel e cujos desvios
ultimos p algum pde ainda pisar.

 por isso que os Deuses morrem, se succedem e transformam. V-se o fim
d'essas eternidades--e o homem que as crera para perder c a incerteza
do seu transitorio destino, o homem, o seu corao, o seu ideal,
sobrevive-lhes,  elle quem parece eterno ao p d'esses absolutos
passageiros!

Mas que importa esse Deus que nenhum olhar pde ainda descobrir no
deserto dos ceus, se d'um ceu interior, to puro e to bello, sae para
cada ouvido attento uma voz divina, e uma sybilla misteriosa deixa cair
dos labios palavra a palavra, o oraculo successivo do destino dos homens?

Se a alma cria deuses e, respirando, espalha o infinito em volta de
si-- que l dentro alguma cousa infinita se concentra e o divino se
esconde para se manifestar dia a dia na revelao constante chamada
Vida.  que o mais humilde d'entre ns d em seu peito morada a um
grande desconhecido que ali existe, cuja voz grave se ouve a espaos e
nos alumia a face com os relampagos da sua gloria.

Existe com effeito. Que somos ns todos seno uma forma visivel da
essencia infinita--um momento determinado da existencia sem termo--uma
vibrao do movimento eterno--uma fase da Lei do todo, chamada aqui lei
humana mas a mesma no ser, com igual fim, igual origem, que nos
determina e de que vivemos? A lei! Protheu prodigioso de mil formas
d'innumeros vultos inesperados em toda a parte diversos, e em toda a
parte o mesmo sempre todavia! Mil faces, e uma s alma! mil braos, e
uma vontade s! por mil caminhos, e um unico o termo da viagem!

Uma d'essas do Protheu  o homem, a lei humana. A parte d'aco que
exercemos no movimento eterno: a hora que nos  dado preencher na
durao sem termo-- isso o que somos, por isso que ns agitamos, o
nosso ser, o nosso misterio.  o Deus, que o universo esconde
revelando-se pela consciencia. E o absoluto que fra nem podemos
entrever, eil-o vivo e palpitante em nosso corao e debaixo de nossas
mos, a ponto de o podermos palpar!--A alma da humanidade em cada homem;
e, na humanidade a alma inteira do mundo--.

No mais estreito, no mais tremulo e humilde raio de luz, coado a custo
por entre duas nuvens, se estuda e est o segredo do brilho immenso e
inefavel que innunda as alturas, se v patente o misterio da maior
gloria dos esplendores celestes. No gemer da onda indolente, que se
espreguia no areal, e nem assusta o folgar descuidoso d'uma creana,
est a voz do oceano, a sua ancia, o porque de suas luctas, o motivo de
tantas tempestades, tantos brados, tamanhas convulses--. No que agita o
peito do mais humilde e desconhecido dos homens est o segredo de
anciedade, do desejo infinito, que commove os universos, o verbo do
movimento que arrasta os imperios como os mendigos, as folhas do outomno
como os astros do espao--est a palavra do ser, a origem e o fim, Deus!

Sim. Esse Deus buscado em vo na vastido dos ceus desertos, que no
revela a immensidade desoladora e fria, eil-o em fim que o vemos
concentrado no fundo da consciencia, dormitando, mas em movimento, mudo,
ao parecer, mas murmurando sempre, como um canto de lendas misteriosas,
o oraculo successivo dos Destinos!  o Deus da humanidade; a parte do
ser eterno, que se move n'ella, que a firma, que  ella mesma. Jehov,
Brama, Sabaoth, All, Christo, por grandes, por luminosos que paream,
no so mais que as sombras projectadas sobre a terra pelo vulto d'esse
grande desconhecido--degraus da escada do desejo que essa alma sobe no
caminho do seu Fim.  a luz, que nos sae de dentro, e diante dos nossos
olhos se agita, convidando-nos a seguil-a em seu correr.  a columna de
fogo do deserto--no aquella trazida de longe e sem se ver a mo que a
trouxe, mas saida do mesmo seio do povo, como que a sua propria alma,
adiante d'elle caminhando. Movemo-nos porque a seguimos; no pelo
capricho de nossos passos. O nosso trabalho o seu brilho nol'o indica,
no  s o lavor escuro de nossas mos.

Toda a esphera de nossas aces, as maiores, as melhores, fecha-a o
circulo d'aquella lei--que  a nossa mesma.

Nem d'outra lei precisamos. Cumprir a tarefa d'este momento  cumpril-a
na sua frma rigorosa, correspondendo ao destino d'elle entre todos os
movimentos de que se compe a durao eterna.--O fim do Homem  ser
homem. E, para o ser, viver segundo a ns, ao nosso fim, que mais se
precisa que seguir a lei humana?  a nossa affirmao. A fora que a
determina no lhe vem de fra, d'alguma mo escondida entre as nuvens
gloriosas d'algum ceu inatingivel. De dentro vem, como as folhas do
lyrio, que se abre, vem todas do boto que as continha em suas dobras,
como todos os suspiros vem do corao que deseja, e no do objecto que
os accorda.

 o seu trabalho quem cria os absolutos que depois a esmagam. Mas a
fora primitiva reage; e os espectros caem por terra estalados os braos
com que tentavam suffocal-a.

As revolues, os cultos, os systemas, as philosophias, as revelaes
no so principios exteriores que dominem a historia, de cima, da altura
de suas verdades determinando os sentimentos, os desejos, as crenas, a
vida emfim. Pelo contrario.--So apenas evolues d'um interior, que os
cria e destroe, e faz o novo templo com as minas do templo antigo, e se
chama Natureza.

O Deus da Humanidade  o mesmo homem: e o seu Ideal, a religio da Vida.


V

 a negao do absoluto e, como tal a affirmao do homem.

O Deus sae da immobilidade do symbolo inalteravel: faz-se vida,
move-se-- um Deus progressivo.

O seu dogma (semelhante  fonte nascida da terra e de continuo
acrescentada) dia a dia o vai o tempo completando com tudo o que lhe sai
do seio vasto e fecundissimo.  o culto de um misterio que
descobrindo-se sempre, jamais se poder ver todo. E a Biblia tem brancas
as ultimas paginas, para que lhe possa cada gerao nova escrever l o
verso d'oiro de cada novo Evangelho que se revelle.

Religio doce e humana, que no despreza uma palavra de creana, o sonho
d'um corao de mulher, o presentimento da mais humilde consciencia! 
como o olho do sabio que se esquece horas sem conto na contemplao do
mais estreito calice d'uma flor sem nome d'esses campos! No calix da
flor, diz o poeta, se encerra a belleza toda do universo--e que
profundos e desconhecidos thesouros de belleza e verdade no guarda o
corao d'um simples?!...

 por isso que esta religio abraa no seu circulo maravilhoso a alma
toda e toda a vida como o sol do meio dia v quanto rasteja na terra e
quanto paira nas alturas--porque no despreza ninguem. Como Jesus entre
as crianas aprende tanto quanto ensina. Missiona, e recebe todavia
lies do mais humilde catechumeno. O seu decalogo tem uma margem larga
bastante para que o povo o commente, quando no acrescente um artigo 
lei.  a religio do movimento--o Colombo dos mundos encobertos do
espirito erecto na proa do galeo, sondando o horisonte com os olhos,
incitando, animando todos para a conquista do desconhecido. Sentado na
tripode santa da sua inspirao, sente correr-lhe n'alma o espirito do
Deus vivo: profetisa, improvisa de continuo e, como a chuva de perolas
da bocca da fada legendaria, lhe caem dos labios as palavras nunca
interrompidas da sua revellao--a lei, o ideal humano.


VI

A Edade Media no comprehendeu isto. Seu grande genio, sublime como
Poesia, achamol-o aqui estreito e acanhado como Raso. Porque do cho
sao um dia essa flor maravilhosa, a mais bella entre todas no jardim do
espirito, chamada unidade, pareceu-lhe ter morrido a fora geradora da
terra e tornar-se impossivel outra florescencia, outra primavera, outro
perfume.

Deu por concluido o trabalho das criaes humanas, e fechado o cyclo dos
poemas divinos chamados religies. Declarou o corao incapaz de novos
sonhos, a alma inerte para mais desejos, a intelligencia morta para
outras concepes e outras frmas que no fossem as suas--porque no
ardor de sua f, uma nobre illuso lhe fez ver o vacuo e o nada alm do
espao que abrangia a sua vista halucinada. Grande e solemne dentro do
templo santo da sua crena por isso mesmo desprezou o resto da terra
aonde j se no avistava esse prodigioso edificio, e o resto da alma que
o calor d'esse raio d'amor no aquecia. As tristes flores d'esse deserto
no eram para adornar o seu altar--no era digno do seu Deus o perfume
sado d'um coraao no alumiado pelo brilho de sua gloria... Fez o Dogma
e fechou-se n'elle como n'um sepulcro. Largo sepulcro, em verdade, como
para um Deus e todo marmores e oiro... mas ainda no tumulo de Christo, o
frio que se sente  sempre o frio da morte!

A antiguidade pag dava s suas religies um cinto elastico, para que a
Virgem podesse crescer e engrossar, fazer-se mulher e me, conceber e
criar o filho que lhe havia de succeder. Como as no revellava nenhuma
voz encoberta, sando do meio das nuvens de fogo d'uma gloria
sobrehumana--revellavam-se ellas por si, em toda a parte, em cada hora,
e no j no cimo deserto do Sinai, mas em baixo, no valle, onde se
assentam as tendas do povo, no ajuntamento dos homens. Por isso no
havia palavra murmurada no meio da multido, que se sumisse esquecida,
que um deus amigo no ouvisse e decorasse, como ensino d'uma bocca
humilde, mas nem por isso despresivel. A onda mais imperceptivel,
nascida nos ultimos confins da sociedade trazida com o sopro do vento,
achava sempre uma doce praia aonde depositar o seu pequeno tributo, um
canto, uma espuma branca, uma rara flor muitas vezes.

Cada modesto veio d'agua l ia dar sempre ao lago d'essas religies to
humanas, que no se pejavam de os receber, com elles crescer e alargar,
ser por elles formado--fazendo assim a divindade com o melhor e o mais
puro da humanidade. Essas religies formavam-nas em collaborao as
almas das geraes successivas, cada uma como que tinha de mais intimo
em si, do mais elevado ao mais innocente. O sabio dava o forte
pensamento, o simples a intuio profunda. Emprestava-lhes um facto o
heroe, e a virgem lanava-lhes no regao uma lagrima de piedade. A praa
publica lhes enviava um echo de seus rumores, e a familia um reflexo
amoravel do seu lar. Cada qual tirava do corao a perola que l tem
todos escondida; e com essas gemmas, preciosas, quentes ainda e quasi
vivas, se adornava a divindade. As paixes, os amores, os cuidados, as
lutas dos homens, tudo isto idealisado e puro se via brilhar sobre o
peito dos deuses, como penhor da fraternidade entre terra e ceu, e
modelos de perfeio que buscava cada qual realisar. Ser bom e forte e
grande para ser semelhante a um Deus--porque este era a ultima expresso
da humanidade.

Era ella o que a criava. Ao lado da inspirao do augur caminhava a
espontaniedade do Povo.

Ella transformava a legenda; desenvolvia a moral; compunha o rito:
adoptava cultos; erguia outros deuses ao lado seno sobre o pedestal dos
antigos; vereficava a lei velha com o espirito novo: tinha autoridade em
fim, autoridade, voto e fora para obrigar um Deus progressivo a medir
seus passos pelos d'uma sociedade sempre em movimento. Por detraz do
Olympo havia muito ceu ainda e muito espao. Alem da morada das
divindades via-se o infinito sem termos--e Prometheu prophetisando a
queda de Jupiter no era um impio; era um semi-deus. As religies
antigas no faziam da alma humana (e, com a alma as sociedades e o
mundo) prisioneira d'um dogma immutavel. Sentiam ser ella mesma o
verdadeiro dogma. Abriam o seio a cada palavra inspirada e
transformavam-na em sangue do corao...

Religies humanas! uma intuio profunda da mesma lei da vida--a
diversidade, o movimento, a successo--dava-lhes a largura, a
flexibilidade e o vago necessarios para que correspondessem a todas s
formas innumeras e inesperadas do espirito, s infinitas transformaes
das sociedades, s mil apparencias da realidade. Dava-lhes a virtude
d'esses cordeaes proprios para todas as idades e todas as compleies:
para os fortes calmante; e para os fracos, balsamo e conforto. Eram como
o vestido natural do corpo do homem acompanhando todos os movimentos,
feito para todas as altitudes: simples ao p do lar, nobre na praa,
grave no repouso, e na luta ou na corrida ligeiro e facil.

Esta verdade humana que as fez to animadas, por isso mesmo as impedio
d'avistarem o outro termo correlativo, o extra-humano, o absoluto.

No corao d'essas raas como parte que  da alma, estava esse
sentimento, por certo. Mas no vinha fra em frma de luz, no inundava
d'ali o mundo, no doirava a fronte dos deuses nem a cabea dos homens.
Viram-na, a essa luz, passar como relampago nos olhos d'alguns
inspirados; mas o povo no a soube comprehender, deixou-a morrer, quando
a no matou elle mesmo. No meio da diversidade, que o absorvia, o
politheismo no pde conceber a unidade existente com ella e n'ella
mesma porventura. Ao sol da Grecia e do Oriente, a rosa viva, a flor
intima da humanidade, a alma, abrira todas as suas petalas extranhas mas
formosissimas! uma s ficou fechada; mas essa era a mais larga e a mais
forte, que devia conter todas as outras--o sentimento da unidade.

Unidade de Deus! Unidade do Homem! n'esta onda mystica mergulhou o
Christianismo a cabea--com este Jordo baptisou o mundo! Esta
contemplao do absoluto fez a sua fora: foi ella tambem quem o matou.
Em vista d'este principio resolveu corajosamente o destino humano; mas
vinculando-a a essa resoluo, desconheceu a sua lei essencial--o
movimento.--No. A contemplao inerte no pode ser o ar que o espirito
do homem pede para respirar! O ar da vida  outro... A vida! no seu vo
para o ceu, na sua sublime ambio ideal, foi isso que esqueceu ao
Christianismo--a terra, a vida.--

.........................................................................

FIM





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used on or associated in any way with an electronic work by people who
agree to be bound by the terms of this agreement.  There are a few
things that you can do with most Project Gutenberg-tm electronic works
even without complying with the full terms of this agreement.  See
paragraph 1.C below.  There are a lot of things you can do with Project
Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
works.  See paragraph 1.E below.

1.C.  The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
Gutenberg-tm electronic works.  Nearly all the individual works in the
collection are in the public domain in the United States.  If an
individual work is in the public domain in the United States and you are
located in the United States, we do not claim a right to prevent you from
copying, distributing, performing, displaying or creating derivative
works based on the work as long as all references to Project Gutenberg
are removed.  Of course, we hope that you will support the Project
Gutenberg-tm mission of promoting free access to electronic works by
freely sharing Project Gutenberg-tm works in compliance with the terms of
this agreement for keeping the Project Gutenberg-tm name associated with
the work.  You can easily comply with the terms of this agreement by
keeping this work in the same format with its attached full Project
Gutenberg-tm License when you share it without charge with others.

1.D.  The copyright laws of the place where you are located also govern
what you can do with this work.  Copyright laws in most countries are in
a constant state of change.  If you are outside the United States, check
the laws of your country in addition to the terms of this agreement
before downloading, copying, displaying, performing, distributing or
creating derivative works based on this work or any other Project
Gutenberg-tm work.  The Foundation makes no representations concerning
the copyright status of any work in any country outside the United
States.

1.E.  Unless you have removed all references to Project Gutenberg:

1.E.1.  The following sentence, with active links to, or other immediate
access to, the full Project Gutenberg-tm License must appear prominently
whenever any copy of a Project Gutenberg-tm work (any work on which the
phrase "Project Gutenberg" appears, or with which the phrase "Project
Gutenberg" is associated) is accessed, displayed, performed, viewed,
copied or distributed:

This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
almost no restrictions whatsoever.  You may copy it, give it away or
re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
with this eBook or online at www.gutenberg.org

1.E.2.  If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is derived
from the public domain (does not contain a notice indicating that it is
posted with permission of the copyright holder), the work can be copied
and distributed to anyone in the United States without paying any fees
or charges.  If you are redistributing or providing access to a work
with the phrase "Project Gutenberg" associated with or appearing on the
work, you must comply either with the requirements of paragraphs 1.E.1
through 1.E.7 or obtain permission for the use of the work and the
Project Gutenberg-tm trademark as set forth in paragraphs 1.E.8 or
1.E.9.

1.E.3.  If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is posted
with the permission of the copyright holder, your use and distribution
must comply with both paragraphs 1.E.1 through 1.E.7 and any additional
terms imposed by the copyright holder.  Additional terms will be linked
to the Project Gutenberg-tm License for all works posted with the
permission of the copyright holder found at the beginning of this work.

1.E.4.  Do not unlink or detach or remove the full Project Gutenberg-tm
License terms from this work, or any files containing a part of this
work or any other work associated with Project Gutenberg-tm.

1.E.5.  Do not copy, display, perform, distribute or redistribute this
electronic work, or any part of this electronic work, without
prominently displaying the sentence set forth in paragraph 1.E.1 with
active links or immediate access to the full terms of the Project
Gutenberg-tm License.

1.E.6.  You may convert to and distribute this work in any binary,
compressed, marked up, nonproprietary or proprietary form, including any
word processing or hypertext form.  However, if you provide access to or
distribute copies of a Project Gutenberg-tm work in a format other than
"Plain Vanilla ASCII" or other format used in the official version
posted on the official Project Gutenberg-tm web site (www.gutenberg.org),
you must, at no additional cost, fee or expense to the user, provide a
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request, of the work in its original "Plain Vanilla ASCII" or other
form.  Any alternate format must include the full Project Gutenberg-tm
License as specified in paragraph 1.E.1.

1.E.7.  Do not charge a fee for access to, viewing, displaying,
performing, copying or distributing any Project Gutenberg-tm works
unless you comply with paragraph 1.E.8 or 1.E.9.

1.E.8.  You may charge a reasonable fee for copies of or providing
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that

- You pay a royalty fee of 20% of the gross profits you derive from
     the use of Project Gutenberg-tm works calculated using the method
     you already use to calculate your applicable taxes.  The fee is
     owed to the owner of the Project Gutenberg-tm trademark, but he
     has agreed to donate royalties under this paragraph to the
     Project Gutenberg Literary Archive Foundation.  Royalty payments
     must be paid within 60 days following each date on which you
     prepare (or are legally required to prepare) your periodic tax
     returns.  Royalty payments should be clearly marked as such and
     sent to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation at the
     address specified in Section 4, "Information about donations to
     the Project Gutenberg Literary Archive Foundation."

- You provide a full refund of any money paid by a user who notifies
     you in writing (or by e-mail) within 30 days of receipt that s/he
     does not agree to the terms of the full Project Gutenberg-tm
     License.  You must require such a user to return or
     destroy all copies of the works possessed in a physical medium
     and discontinue all use of and all access to other copies of
     Project Gutenberg-tm works.

- You provide, in accordance with paragraph 1.F.3, a full refund of any
     money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the
     electronic work is discovered and reported to you within 90 days
     of receipt of the work.

- You comply with all other terms of this agreement for free
     distribution of Project Gutenberg-tm works.

1.E.9.  If you wish to charge a fee or distribute a Project Gutenberg-tm
electronic work or group of works on different terms than are set
forth in this agreement, you must obtain permission in writing from
both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael
Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark.  Contact the
Foundation as set forth in Section 3 below.

1.F.

1.F.1.  Project Gutenberg volunteers and employees expend considerable
effort to identify, do copyright research on, transcribe and proofread
public domain works in creating the Project Gutenberg-tm
collection.  Despite these efforts, Project Gutenberg-tm electronic
works, and the medium on which they may be stored, may contain
"Defects," such as, but not limited to, incomplete, inaccurate or
corrupt data, transcription errors, a copyright or other intellectual
property infringement, a defective or damaged disk or other medium, a
computer virus, or computer codes that damage or cannot be read by
your equipment.

1.F.2.  LIMITED WARRANTY, DISCLAIMER OF DAMAGES - Except for the "Right
of Replacement or Refund" described in paragraph 1.F.3, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation, the owner of the Project
Gutenberg-tm trademark, and any other party distributing a Project
Gutenberg-tm electronic work under this agreement, disclaim all
liability to you for damages, costs and expenses, including legal
fees.  YOU AGREE THAT YOU HAVE NO REMEDIES FOR NEGLIGENCE, STRICT
LIABILITY, BREACH OF WARRANTY OR BREACH OF CONTRACT EXCEPT THOSE
PROVIDED IN PARAGRAPH F3.  YOU AGREE THAT THE FOUNDATION, THE
TRADEMARK OWNER, AND ANY DISTRIBUTOR UNDER THIS AGREEMENT WILL NOT BE
LIABLE TO YOU FOR ACTUAL, DIRECT, INDIRECT, CONSEQUENTIAL, PUNITIVE OR
INCIDENTAL DAMAGES EVEN IF YOU GIVE NOTICE OF THE POSSIBILITY OF SUCH
DAMAGE.

1.F.3.  LIMITED RIGHT OF REPLACEMENT OR REFUND - If you discover a
defect in this electronic work within 90 days of receiving it, you can
receive a refund of the money (if any) you paid for it by sending a
written explanation to the person you received the work from.  If you
received the work on a physical medium, you must return the medium with
your written explanation.  The person or entity that provided you with
the defective work may elect to provide a replacement copy in lieu of a
refund.  If you received the work electronically, the person or entity
providing it to you may choose to give you a second opportunity to
receive the work electronically in lieu of a refund.  If the second copy
is also defective, you may demand a refund in writing without further
opportunities to fix the problem.

1.F.4.  Except for the limited right of replacement or refund set forth
in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER
WARRANTIES OF ANY KIND, EXPRESS OR IMPLIED, INCLUDING BUT NOT LIMITED TO
WARRANTIES OF MERCHANTIBILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE.

1.F.5.  Some states do not allow disclaimers of certain implied
warranties or the exclusion or limitation of certain types of damages.
If any disclaimer or limitation set forth in this agreement violates the
law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be
interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by
the applicable state law.  The invalidity or unenforceability of any
provision of this agreement shall not void the remaining provisions.

1.F.6.  INDEMNITY - You agree to indemnify and hold the Foundation, the
trademark owner, any agent or employee of the Foundation, anyone
providing copies of Project Gutenberg-tm electronic works in accordance
with this agreement, and any volunteers associated with the production,
promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works,
harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees,
that arise directly or indirectly from any of the following which you do
or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.


Section  2.  Information about the Mission of Project Gutenberg-tm

Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
electronic works in formats readable by the widest variety of computers
including obsolete, old, middle-aged and new computers.  It exists
because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
people in all walks of life.

Volunteers and financial support to provide volunteers with the
assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
remain freely available for generations to come.  In 2001, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.


Section 3.  Information about the Project Gutenberg Literary Archive
Foundation

The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
Revenue Service.  The Foundation's EIN or federal tax identification
number is 64-6221541.  Its 501(c)(3) letter is posted at
https://pglaf.org/fundraising.  Contributions to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
permitted by U.S. federal laws and your state's laws.

The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
throughout numerous locations.  Its business office is located at
809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
business@pglaf.org.  Email contact links and up to date contact
information can be found at the Foundation's web site and official
page at https://pglaf.org

For additional contact information:
     Dr. Gregory B. Newby
     Chief Executive and Director
     gbnewby@pglaf.org


Section 4.  Information about Donations to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation

Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
spread public support and donations to carry out its mission of
increasing the number of public domain and licensed works that can be
freely distributed in machine readable form accessible by the widest
array of equipment including outdated equipment.  Many small donations
($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
status with the IRS.

The Foundation is committed to complying with the laws regulating
charities and charitable donations in all 50 states of the United
States.  Compliance requirements are not uniform and it takes a
considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
with these requirements.  We do not solicit donations in locations
where we have not received written confirmation of compliance.  To
SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
particular state visit https://pglaf.org

While we cannot and do not solicit contributions from states where we
have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
against accepting unsolicited donations from donors in such states who
approach us with offers to donate.

International donations are gratefully accepted, but we cannot make
any statements concerning tax treatment of donations received from
outside the United States.  U.S. laws alone swamp our small staff.

Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
methods and addresses.  Donations are accepted in a number of other
ways including including checks, online payments and credit card
donations.  To donate, please visit: https://pglaf.org/donate


Section 5.  General Information About Project Gutenberg-tm electronic
works.

Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm
concept of a library of electronic works that could be freely shared
with anyone.  For thirty years, he produced and distributed Project
Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.


Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
unless a copyright notice is included.  Thus, we do not necessarily
keep eBooks in compliance with any particular paper edition.


Most people start at our Web site which has the main PG search facility:

     https://www.gutenberg.org

This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
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